
A inteligência artificial já faz parte da vida amorosa de muita gente. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude são usadas para escrever mensagens, melhorar perfis, pedir conselhos e até lidar com conversas difíceis.
Mas o que acontece quando a IA entra em um relacionamento que precisa permanecer em segredo?
Para entender esse comportamento, a Sasha7 entrevistou 1.087 usuários adultos de sua plataforma de relacionamentos discretos sobre como utilizam inteligência artificial em casos extraconjugais e outros relacionamentos mantidos em sigilo.
Os resultados mostram que a IA já ocupa um espaço relevante nesse tipo de relação.
44% dos entrevistados afirmaram já ter usado alguma ferramenta de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini ou Claude, em conexão com um caso ou relacionamento discreto.
Um dos dados mais surpreendentes é que 18% disseram já ter usado IA para ajudá-los a explicar uma situação suspeita ao cônjuge ou parceiro, enquanto 14% afirmaram ter usado inteligência artificial especificamente para tornar um relacionamento extraconjugal mais difícil de ser descoberto.
Principais resultados
🔹 44% já usaram inteligência artificial em conexão com um caso extraconjugal ou relacionamento discreto.
🔹 31% já usaram IA para escrever ou melhorar mensagens enviadas a alguém por quem tinham interesse romântico ou sexual.
🔹 26% recorreram à IA para pedir conselhos sobre um caso ou relacionamento discreto.
🔹 18% já utilizaram IA para ajudar a explicar uma situação suspeita ao cônjuge ou parceiro.
🔹 14% disseram ter usado IA especificamente para tornar um relacionamento discreto mais difícil de ser descoberto.
🔹 Entre quem já usou IA, 58% afirmaram que a tecnologia tornou mais fácil administrar um relacionamento discreto.
🔹 Entre os entrevistados de 18 a 34 anos, 61% já haviam usado IA em conexão com um caso extraconjugal, contra 27% entre pessoas com 55 anos ou mais.

A IA está virando uma espécie de assistente de relacionamento
O uso mais comum da inteligência artificial não envolve necessariamente grandes estratégias ou situações complexas.
Entre os entrevistados que já haviam usado IA em um relacionamento discreto, o principal uso era bastante simples: ajudar na comunicação.
Para que as pessoas estão usando IA?
Entre os entrevistados que disseram já ter utilizado inteligência artificial:
- 70% usaram IA para escrever, reescrever ou melhorar mensagens;
- 59% perguntaram à IA o que deveriam dizer ou como deveriam responder;
- 48% pediram conselhos sobre relacionamento;
- 34% utilizaram IA durante o planejamento de um encontro;
- 41% recorreram à tecnologia para pensar em questões de agenda, horários ou complicações do relacionamento;
- 32% usaram IA para ajudar a explicar uma situação suspeita ao cônjuge ou parceiro;
- 25% disseram ter usado inteligência artificial especificamente com o objetivo de tornar o relacionamento mais difícil de ser descoberto.
Os participantes podiam escolher mais de uma resposta.
Os dados indicam que a inteligência artificial não está sendo usada apenas para criar mensagens mais atraentes ou flertes melhores.
Para uma parcela relevante dos entrevistados, a IA se tornou uma espécie de conselheiro privado disponível a qualquer hora, ajudando a lidar com questões emocionais, conversas delicadas e a logística de manter um relacionamento paralelo.
Quase 1 em cada 5 já usou IA para explicar uma situação suspeita
Um dos resultados que mais chama atenção é que 18% de todos os entrevistados afirmaram já ter pedido ajuda à inteligência artificial para explicar ao cônjuge ou parceiro uma situação relacionada a um caso extraconjugal.
A pesquisa não pediu aos participantes que revelassem qual explicação haviam criado ou qual situação precisavam justificar.
Ainda assim, o resultado revela um uso relativamente novo da IA generativa: atuar como um conselheiro disponível instantaneamente em situações pessoais altamente delicadas.
Entre os entrevistados com menos de 35 anos, 24% disseram já ter usado IA dessa maneira.
Entre pessoas com 45 anos ou mais, o percentual caiu para 11%.
14% dizem ter usado IA para dificultar a descoberta de um caso
A pesquisa também fez uma pergunta direta aos participantes:
“Você já usou alguma ferramenta de inteligência artificial especificamente para tornar um caso extraconjugal ou relacionamento discreto mais difícil de ser descoberto pelo seu cônjuge ou parceiro?”
14% responderam que sim.
Outros 7% preferiram não responder.
A pesquisa não perguntou quais técnicas ou métodos foram utilizados.
O objetivo da pergunta era entender se a inteligência artificial está começando a assumir um papel mais amplo na manutenção da privacidade e do sigilo em relacionamentos extraconjugais.
Os mais jovens usam IA com muito mais frequência
A idade foi uma das variáveis que apresentou as diferenças mais claras em toda a pesquisa.
Percentual que já usou IA em conexão com um caso ou relacionamento discreto:
18 a 34 anos: 61%
35 a 44 anos: 49%
45 a 54 anos: 35%
55 anos ou mais: 27%
A diferença acompanha, em parte, a adoção mais rápida de ferramentas de inteligência artificial generativa por usuários mais jovens.
Mas o dado também aponta para uma possível mudança de comportamento no longo prazo.
À medida que pessoas acostumadas a usar IA para comunicação, trabalho e tomada de decisões envelhecem, o uso dessas ferramentas na vida amorosa e sexual pode se tornar cada vez mais comum.

A inteligência artificial realmente torna um caso mais fácil de administrar?
Entre os entrevistados que já haviam utilizado inteligência artificial em um relacionamento discreto:
21% disseram que a IA tornou a situação “muito mais fácil”.
37% afirmaram que tornou “um pouco mais fácil”.
35% disseram que fez pouca ou nenhuma diferença.
7% afirmaram que a tecnologia deixou a situação mais complicada.
Somados, 58% disseram que a inteligência artificial facilitou a administração de um relacionamento discreto.

Quando a IA escreve a mensagem romântica, quem está realmente falando?
O uso da inteligência artificial também levanta uma questão sobre autenticidade.
Entre os entrevistados que utilizaram IA para escrever mensagens românticas, apenas 46% disseram que uma mensagem fortemente editada por inteligência artificial ainda parecia totalmente escrita por eles próprios.
Outros 39% disseram que a mensagem parecia apenas parcialmente deles.
E 15% afirmaram que uma mensagem romântica escrita em grande parte por IA já não parecia realmente ter vindo deles.
Isso cria um paradoxo curioso.
A inteligência artificial pode facilitar a comunicação íntima, mas ao mesmo tempo pode torná-la menos pessoal.
Uma mensagem pode ficar melhor escrita, mais sedutora ou mais cuidadosa — mas ainda assim refletir menos a voz real de quem a enviou.
A IA vai mudar a forma como as pessoas traem?
A maioria dos entrevistados acredita que a participação da inteligência artificial nesse tipo de relacionamento ainda vai crescer.
Quando questionados se a IA tornaria relacionamentos extraconjugais mais fáceis de conduzir nos próximos cinco anos:
64% disseram que sim.
17% disseram que não.
19% não souberam responder.
A inteligência artificial provavelmente não cria, por si só, os motivos que levam uma pessoa a buscar um relacionamento fora de sua parceria principal.
O que ela pode mudar é toda a infraestrutura ao redor desses relacionamentos.
Isso inclui comunicação, tomada de decisões, conselhos, planejamento e a capacidade de lidar com situações interpessoais complicadas.
Assim como a internet, os aplicativos de mensagens e os aplicativos de relacionamento transformaram a forma como as pessoas se conhecem e se comunicam, a inteligência artificial pode representar a próxima mudança tecnológica na maneira como relacionamentos — inclusive os mantidos em segredo — são conduzidos.
Sobre a pesquisa
A Sasha7 entrevistou 1.087 usuários adultos de sua plataforma de relacionamentos discretos.
As respostas foram coletadas anonimamente entre 1º de julho e 1º de setembro de 2026.
A participação foi voluntária, e os entrevistados não eram obrigados a responder a todas as perguntas.
Os participantes da pesquisa estavam distribuídos por todo o Brasil.
Como todos os participantes eram usuários de uma plataforma voltada a relacionamentos discretos, os resultados não devem ser interpretados como representativos da população em geral, seja no Brasil ou em outros países.
O objetivo da pesquisa foi especificamente analisar como pessoas que utilizam uma plataforma de relacionamentos discretos estão incorporando ferramentas de inteligência artificial em suas relações.
Os percentuais podem não totalizar 100% devido a arredondamentos e, nas perguntas que permitiam múltiplas respostas, porque os participantes podiam selecionar mais de uma opção.
Para jornalistas
Jornalistas interessados em receber os dados completos da pesquisa, gráficos, detalhes adicionais sobre a metodologia ou comentários da Sasha7 podem entrar em contato pelo e-mail:
Na mídia
Esta pesquisa foi destaque no Estado de Minas, em matéria sobre o uso da inteligência artificial em relacionamentos extraconjugais.